Unha foto persoal da poesía brasileira máis nova: ‘É Agora Como Nunca’

Adriana calcanhotto

As antoloxías literarias nunca son fáciles, e menos se se intenta fotografar a creación máis recente. Aínda que é sabido que calquera escolma é parcial e responde aos gustos do encargado de a facer, non hai ningunha que non cree certo malestar (máis polos nomes que quedan fóra que polos que entran). Se todo o anterior é universal en calquera literatura, imaxinen o que é facer unha escolma da poesía máis recente dun país tan grande como é o Brasil. Nestas coordenadas apareceu hai poucos meses É Agora Como Nunca: Antologia Incompleta da Poesia Contemporânea Brasileira, un libro que recolle traballos de 41 poetas (23 homes e 18 mulleres) nacidos despois de 1970.

A responsable desta obra, publicada pola editora Companhia das Letras en Brasil e por Livros da Cotovía en Portugal, é a coñecida cantautora brasileira Adriana Calcanhotto. Ela mesma explicou en diferentes entrevistas que como lectora de poesía tiña gana de facer unha escolma que ela mesma define como “incompleta e totalmente persoal, intransferible, autoral, ou o contrario”.

Para abrir fame, deixámosvos tres poemas, doutros tantos autores, que aparecen nesta escolma

Vontade de Laura Liuzzi

Entrar em casa sem que a porta

rangesse, sem que o cachorro

da vizinha farejasse minha vinda

sem que o sofá conservasse as

formas do meu corpo, sem que

eu precisasse tomar aquele copo

de água que toca o azulejo e emite

um som rouco, sem que houvesse

corpo. Entrar em casa como

a música entra nos ouvidos.

Poemas reunidos, de Ana Martins Marques

Sempre gostei dos livros

chamados poemas reunidos

pela ideia de festa ou de quermesse

como se os poemas se encontrassem

como parentes distantes

um pouco entediados

em volta de uma mesa

como ex -colegas de colégio

como amigas antigas para jogar cartas

como combatentes

numa arena

galos de briga

cavalos de corrida ou

boxeadores num ringue

como ministros de estado

numa cúpula

ou escolares em excursão

como amantes secretos

num quarto de hotel

às seis da tarde

enquanto sem alegria apagam -se as flores do papel de parede

Em torno de, de Fabiano Calixto

um disco repetindo-se

uniforme

a dor presente

um salmo

esquecido na página

consumada de um baseado

e continua

redemoinho melódico

não de poeira

vento

com agulha riscando o escuro

da luz apagada

dos sulcos mínimos

um molusco carregando a parede

como um código

uma mosca decorando

a paz do prato sujo

continua

a agonia do futuro

rezando em mim

como um relógio

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