Pessoa non é Deus, non falta que fai

Fernando-Pessoa_54253962038_53389389549_600_396Ninguén discute que Fernando Pessoa (Lisboa, 1888-1935) é un dos máis grandes autores da literatura en lingua portuguesa. Esta dimensión fai que a miúdo as súas biografías sexan escritas dende unha reverencia para nada obxectiva. O brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho repasa aspectos da vida do autor lisboeta nun artigo no Jornal de Letras.
Traemos aquí un parágrafo ben significativo: “Quem se der ao trabalho de buscá-lo, verá alguém como tantos. Com qualidades e defeitos. Contraditório. Que defendeu a escravatura (“a escravatura é lógica e legítima”) e também disse mal dela (“angústia autoinfligida e vergonha que com o tempo cresce”). Que de Deus falou mal (“os Deuses, não os reis, são os tiranos”) e bem (“Senhor, livra-me de mim”). Que apoiou Salazar (“o homem certo, na hora certa”) e, depois, se rebelou contra esse “tiraninho que não bebe vinho”. Um homem, como atitude íntima, que escolheu ficar com a Alemanha na Primeira Guerra (“a alma portuguesa deve estar com sua irmã, a alma germânica”). Que falou mal do comunismo, das mulheres, de Fátima e de tantos autores, portugueses e estrangeiros. Um homem vaidoso, extremamente vaidoso; mas ao mesmo tempo discreto, extremamente discreto. Que bebia muito mais do que o razoável, tanto que teve crises de delirium tremens, embora com enorme resistência aos sinais exteriores usualmente exibidos pelos bêbados. Que viveu a vida com o permanente pavor de enlouquecer – como a querida, desdentada e louca avó Dionísia (…)”
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